A Importância de Ser Fiel
de Oscar Wilde - Direção: Eduardo Tolentino
Um texto escrito por um dramaturgo inglês em 1895 e uma trama ambientada na Inglaterra na época Vitoriana pode parecer completamente longe da realidade brasileira. E de certa forma é mesmo, mas isso não faz com que deixe de ser muito interessante. Principalmente por uma questão muito simples: o texto é ótimo. Recheado de piadas de bom gosto, tem o famoso "humor inglês" com um toque brasileiro... e mundial, em se tratando de ética social. Ou melhor, a pouca importância da ética ou dos valores diante do dinheiro o torna atemporal.

"O título original, The Importance of Being Earnest, contém um jogo de palavras quase intraduzível para o português", diz Tolentino. "Earnest significa algo como responsável, correto, mas não é exatamente isso, porque ainda faz um trocadilho com "honesto". E o som é idêntico ao nome Ernesto. Quanto a essa tradução, é uma infelicidade do grupo. Na peça, as mocinhas se apaixonam pelo personagem atraídas pelo seu nome, Ernesto, que lhes transmite confiança. "Ora, eu não imagino uma mulher jovem e bonita dizendo: 'Eu não me casaria com um homem que não fosse Prudente'. Já, 'Eu não me casaria com um homem que não fosse Fiel' fica bem melhor. Na tradução francesa, o nome adotado foi Constante."

Os personagens de A importância de ser Fiel são vistos como membros superficiais da aristocracia inglesa do século 19, época em que a trama é ambientada. O elenco fala português e brinca com o sotaque do inglês britânico de maneira esnobe. "Os personagens são quase máscaras sociais. E levam esses disfarces à última potência", explicou o diretor.
A história se desenrola em dois atos. Bárbara Paz é Cecília, uma moça rica, romanesca e ingênua, que sonha em se casar com um homem fiel, assim como sua amiga Gwendoleen (Eloísa Cichowitz). Ambas ficam encantadas com John, personagem de Brian Penido, que adota o codinome de "Fiel". "É um jogo entre a imagem pública e privada porque na cidade ele é um homem íntegro e no campo, uma pessoa normal", explica Araújo.

A mãe de Gwendoleen, Lady Bracknell, vivida por Nathalia Timberg, defende a moral das classes dominantes e acredita que o importante não é ser fiel, e sim, de boa família. Dalton Vigh é Algernon, amigo de John, um ex-milionário endividado. "Ele apresenta o amigo John para a aristocracia e o faz pagar as despesas das festas". O cenário, figurinos e trilha sonora são impecáveis. Não há duvidas que o trabalho do Grupo Tapa é maravilhoso, mas o diretor Eduardo Tolentino bem que poderia ter encurtado uns quarenta minutos das duas horas e dez. Assim o espetáculo ficaria em um ritmo mais dinâmico e menos monocórdio.