Essas
14/01/2005
Homens, como os amo. Seu falo, seu cheiro, sua pegada.
Eles foram gerados para comandar, lutar, esquartejar, reinar, conquistar...
Grandes homens, poetas, filósofos, revolucionários como Che, Galileu, Fidel, Zé, João, Hércules, Teseu, Apolo, Zeus, Freud.
Este por último, que acabou seus dias sem entender nós mulheres, tentando achar uma explicação para nossas inquietações. O que elas querem afinal?
Eu me pergunto o que eles esperam de nós afinal. A mãe de seus filhos? A companheira calada? O silêncio dos olhos? O sexo cotidiano e a comida na mesa? A filósofa? A psiquiatra? O amigo que nunca teve? Nos querem submissa, ativa, possessiva?
Silenciar nossas retinas para poder entendê-los melhor é uma questão permanente.
Falar de sexo não é mais tabu, exercer a função que ele desejar, seja ela qual for, não é mais loucura é sensatez.

Homem, macho, pai, mestre... Esboçá-los em algumas partituras musicais talvez seria mais fácil. Quando Mozart tocava parecia que os instintos masculinos silenciavam e ao fechar dos olhos tudo estava dito e compreendido.
Eles são o sexo e a teoria do inconsciente coletivo.
Nós,... essas inquietas em busca do outro, somos essas que vocês não entendem e por isso somos essas que enlaçam seus pés e gemem em seus ouvidos, pois somos essas que vocês não entendem. Somos as que precisam de vocês. Não só para procriar, mas para aprender, sorrir, amar, lutar...Precisamos para poder sentir... Dividimos para poder somar.
Enfim... não queremos guerrilhas, queremos afeto. De espada basta o falo.
Como uma janela indiscreta, eles estão sempre nos espiando. E nós, fingimos que não percebemos, continuamos nos exibindo até que o zoom se feche e a tela mude de direção.

Bárbara Paz
(Revista Romano)